O Palácio de Versalhes

O penúltimo dia da visita à França foi reservado para uma visita a Versalhes, sede do famoso palácio.

Uma curta viagem de trem levou até a pequena cidade, que vive quase exclusivamente do turismo ao palácio. A visita é possível por meio de três tipos de ingresso: apenas para o palácio, apenas para o jardim ou para ambos. Por razões econômicas e principalmente por tempo e cansaço da viagem, comprei o acesso apenas ao palácio.

O jardim é grandioso e apenas um pequena parte é visível das janelas. Em outra situação, eu não perderia a oportunidade de explorá-lo.

O palácio é impressionante! A construção suntuosa, chama a atenção desde os portões. Cada sala é ricamente decorada, chão, paredes, teto e mobília. Os móveis resistem aos séculos como se o tempo não passasse. Imagens e esculturas da família real, com destaque para Luís XIV são vistas a cada tempo, presentes e encomendas para saudar a vaidade do monarca.

O Salão dos Espelhos é o mais famoso e fotografado. Construíod em uma época que os espelhos eram uma peça caríssima, foi parte do escândalo junto com a descomunal quantidade de ouro, de construir tal palácio enquanto o povo morria de fome.

Injustiças históricas à parte, a bela arquitetura pode ser conferida nas fotos.

Até mais o/.

Museu do Louvre

A estadia na França foi um pouco mais esticada e tive oportunidade de visitar dois lugares que são marcos turísticos mundiais, o Museu do Louvre e o Palácio de Versalhes.

O Louvre já impressiona por fora. O prédio é enorme e decorado com estátuas de diversos heróis nacionais, das artes e da ciência. São 3 andares e mais dois subterrâneos, completando uma área de quase 5 km. Usado como residência pela realeza durante muito tempo, foi deixado para trás quando o rei Luis XIV saiu de Paris e foi justamente para Versalhes, morar no grandioso palácio lá construído e escapar um pouco das pressões revolucionárias da capital.

Transformado em museu, tornou-se um dos maiores e mais importantes acervos do mundo. Eu separei 3 horas para visitar as instalações já sabendo que seria pouco. Mas não imaginava que ia faltar ver tanta coisa. Já tinha gastado quase todo o meu tempo e ainda não tinha visto a coleção egípcia, coisa que não se pode perder. Em alguns momentos eu precisei correr entre as galerias pra chegar nas salas desejadas. Rolou algumas perdidas no meio dos muito salões que não ajudaram, ressalte-se que o mapa não era tão claro em alguns pontos. Procurei um bom tempo uma sala que estava fechada para reforma, descobri ao perguntar para uma funcionária.

Contratempos e pouco tempo à parte, foi uma experiência fantástica. O acervo parece não ter fim e há peças de muitos estilos, de todas as partes do mundo. A divisão é feita por região e período, incluindo obras romanas, ameríndias, chinesas, japonesas, persas, nórdicas, africanas, entre outros mais específicos.

Ainda alvo de muita polêmica internacional, o museu conserva muito bem a coleção. É grande a pressão dos países de origem que pedem o retorno das obras. Porém não há indícios de que os franceses estejam dispostos a abrir mão, inclusive porque muitas foram ofertadas como presentes aos reis ou a Napoleão. Muita coisa foi roubada e pilhada em invasões mesmo, mas disso ninguém fala.

Como entendo muito pouco de arte, apreciei como um leigo e aprendi bastante. Um dia inteiro de visita seria o mais adequado, caso possível. Parte do que pude ver estão nas fotos abaixo.

Um museu maravilhoso, imperdível para quem estiver em Paris.

Caipirice do dia: tirando milhões de fotos e em alguns momento olhando tudo pela lente da câmera, acabei aprontando das minhas. Trombadas, tropeços e encontrões estiveram no cardápio, mas o pior foi uma canelada em uma barra de ferro na sala dos sarcófagos. Ficou doendo o resto do dia. Num presta atenção né…

Versalhes no próximo post.

Até mais o/

Em Paris

Ah, mas Paris é tudo isso mesmo ? “Tudo isso” é pouco pra falar dessa cidade, é um lugar fantástico, lindo, merece a fama que carrega. Junta a história, muito bem preservada e contada a cada esquina, o turismo, as opções de uma capital mundial, a mistura de povos, a culinária.

Primeira noite fomos ver a torre Eiffel, com o show de luzes que acontece a cada hora. O gramado lotado de pessoas, comendo e bebendo, visitados de tempos em tempos por vendedores ambulantes de bebidas, lembranças, camisetas, a maioria destes, imigrantes. Fiquei sabendo que lá também rola o “rapa”, a polícia chega e a galera vaza, e que mesmo a guarda investindo em bicicletas ainda não é páreo para o preparo dos vendedores, ficando na poeira.

O metrô de Paris é composto por um sistema enorme, com praticamente uma estação em cada quadra. As linhas são muitas, dá pra andar a cidade toda pelos tubos, sem contar que existem passes diários, semanais e mensais. Como a fiscalização é aleatória, algumas pessoas aproveitam pra viajar sem pagar. E como qualquer outra metrópole, além dos passageiros os trens carregam músicos, artistas, pedintes e batedores de carteira. Essa ocorrência é muito comum por lá, sendo inclusive avisado no sistema de som. Nas ruas encontra-se todo tipo de malandragem, jogos de azar, ciganas, pesquisas falsas, produtos falsificados e ladrões em geral. Tem que estar atento, qualquer lugar de turismo é assim, apesar de que o clima em geral é tranquilo.

No dia seguinte fomos direto pra Champs Eliseé visitar o Arco do Triunfo. O dia estava com um céu azul que já não era visto há tempos na Inglaterra. Dali começava a caminhada pela famosa avenida, na direção do Museu do Louvre. As lojas, os restaurantes, árvores, calçada, tudo muito bem cuidado, chamativo, bonito. Estátuas, placas, bandeiras, vão contando a história de batalhas e marcos importantes, aqui e ali. Há monumentos em honra de Charles de Gaulle e Joana D’ Arc, por exemplo.

Um parque precede a área do museu, tornando-o ainda mais agradável. O movimento se pessoas é intenso e o museu já impressiona por fora. O edifício em forma de U tem três andares e dois subsolos, decorado por fora com esculturas de figuras importantes do país. As três pirâmides de vidro viraram ponto procurado para fotos e a fila de entrada é sempre grande. Deixei para visitar o museu no dia seguinte, no início da manhã.

Logo depois fomos almoçar e logo na primeira refeição já percebi um bom contraste entre a França e o Reino Unido. Os franceses são cuidadosos e tem orgulho de sua cozinha, de forma que mesmo uma refeição mais simples é saborosa e apresentada de forma atraente, já os ingleses fazem um bom Fish and Chips e contente-se com isso.

É tanta coisa pra ver na cidade que fica difícil falar sobre tudo. A igreja dedicada à Santa Maria Madalena é belíssima, com o exterior inspirado nos templos gregos. O interior não deixa por menos, vários altares e estátuas em pedra branca, iluminação baixa, um altar maravilhoso. A ponte Alexandre III chama atenção de longe, com altas colunas encimadas por estátuas douradas, monumentos nas laterais e iluminação em estilo antigo. O Hôtel des Invalides foi construído para servir de abrigo aos feridos de guerra e hoje conta a história desses heróis do país. Um longo gramado precede esse prédio, onde eu tirei uma soneca pós almoço, completando 3 capitais em que adormeci na rua (Berlim, Londres e Paris) e sem ser roubado. E por último, não posso deixar de falar da Igreja de Notre Dame, famosa em diversas obras, que não fica devendo em nada à sua reputação. No momento em que visitei ocorria uma missa e algumas partes da igreja estavam isoladas para os fiéis. Mesmo assim foi possível andar por toda a nave e observar os detalhes da construção.

O rio Sena é lindo! As águas verdes são um convite a um mergulho, o movimento de barcos é grande e a famosa praia artificial atrai alegres parisienses, crianças brincando na areia e adultos dançando músicas caribenhas. A vista do rio da margem ou do alto da torre Eiffel é fantástica. A visita à torre varia de preço conforme a disposição: subir de escada é mais barato do que de elevador, mas  é uma boa subida. A fila também é longa, tanto pra entrar quanto para trocar de andares. Gasta-se mais de uma hora tranquilamente andando pela estrutura.

No jardim em frente à torre, em alguns dias da semana, é montada uma pequena feira com diversos tipos de comidas e souvenires diversos. Fui avisado porém para evitar comprar ali, pois havia outros lugares com melhores preços.

Fomos também visitar Montmartre, um bairro bastante antigo conhecido pela vida boêmia. Ali fica o famoso Moulin Rouge, antigo bordel, hoje casa de show de ingressos caríssimos. Curiosamente, nos arredores ainda existem muitas casas de shows eróticos, sex shops e pontos de prostituição, misturado com atrações turísticas, bares e comércio em geral para os moradores. Mas o motivo principal da visita era a Basílica du Sacre Couer, onde se chega por meio de subidas íngremes e várias escadarias. Mas a chegada à igreja compensa todo o esforço, a construção é magnífica e fica em um ponto com excelente vista para a cidade. Nesse bairro e arredores foram gravadas cenas do filme Amélie Poulain e logo abaixo da igreja fica um carrossel famoso por essa obra.

Pro ultimo dia, além de mais uma caminhada à beira do rio (fomos ver a réplica da Estátua da Liberdade e a ponte do filme A Origem), visitamos La Défense, que é uma região nobre, onde ficam escritórios de grandes empresas, shoppings e lojas. Também conta com um arco, bem maior do que seu idoso semelhante, alinhado com a Champs Eliseé. Com grandes espaços abertos é ponto de reunião de jovens, aulas de dança, partidas de futebol, skate, patins e diversas outras atividades.

No próximo  post conto sobre o Louvre e a vista à Versalhes.

Caipirice do dia: Caipira quando não faz besteira na entrada… estava eu, quase que passando imune à maiores gafes em terras francesas, porém deixei pra aprontar no aeroporto, na partida. Única ressalva a isso foi quando pedi uma parmegiana, já sonhando com um belo bife, coberto com queijo e molho, acabei recebendo uma de beringela. Foi bom pra aprender o significado de “aubergine”. E de qualquer forma o prato estava muito bom e mandei com vontade.

Cheguei no aeroporto de trem e fui direto para a revista de bagagem, pois eu tinha pressa. E já começou o show. Tirei o saquinho de líquidos (pasta de dente, desodorante, perfume, etc) que não pode passar no raio-x dentro da mala, fiquei segurando na fila toda, pra derrubar no chão antes de por na esteira. Senti algo molhado e vi que o vidro de perfume estava em cacos. Imagine a situação, as pessoas não deixam passar nada com mais de 100 ml, um dos aeroportos mais movimentados do mundo e eu com um saquinho transparente cheio de CACOS DE VIDRO. Para minha surpresa, o guarda foi extremamente educado e me ofereceu ajuda após eu explicar a situação. Minha babagem passou sem problemas, troquei a embalagem e fui tranquilo.

Mas o motivo da pressa é que eu precisava ir ao banheiro. Claro que dada a situação anterior até esqueci disso, mas logo retomei o foco. Achei um logo, o Chales de Gaulle é muito organizado e moderno. Até demais. Entrei na cabine, espaçosa, com ganchos e prateleira para os pertences e sentei sossegado. O banheiro é quase totalmente utilizável sem contato manual e o vaso dá descarga sozinho. Desavisado, ganhei uma bela lavada no saco. Passado o susto, foi só esperar o vôo de volta pra Inglaterra.

Até mais o/.

9 Curiosidades

Trânsito

A mão invertida dos ingleses confunde bastante no começo. Carros surgem quando não se está esperando, a gente olha pro lado errado pra atravessar a rua, rotatória é um mistério indecifrável. O mais engraçado é olhar para onde deveria estar o motorista e ver uma pessoa com os pés no painel, um bebê na cadeirinha ou mesmo um cachorro. Custa alguns segundos pra entender o que está acontecendo.

Cientes da confusão feita por estrangeiros, em muitos cruzamentos são pintados no chão o lado pra que se deve olhar. Felizmente, quase toda esquina possui botões para acionar o semáforo e inclusive grades para limitar por onde é permitido atravessar. Nem todo mundo respeita.

Outra característica do trânsito por aqui é a baixa quantidade de motos. É bem raro encontrar uma por aqui, em parte porque no inverno elas ficam encostadas.

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Chá

Sim eles consomem muito chá. De vários tipos e jeitos, mas algumas xícaras por dia é a lei. Café não fica muito atrás, mas não é tão bom quanto outros lugares e nem tem tantas variedades.  97 % das residências possuem uma chaleira elétrica, que chegam a gerar picos de energia nos intervalos comerciais do horário nobre. Todo mundo aproveita a pausa pra fazer um chá e o sistema elétrico importar energia pra aguentar o tranco. Não bastasse isso, algumas casas possuem uma torneira de água fervente, acoplada na parede. Só apertar e tá pronto.

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Cheers

Pensa uma palavra versátil. Não chega a ser UAI, mas mesmo assim tem diversos usos. A gente aprende, do inglês americano, que cheers usa-se para brindar, sendo a tradução de saúde.  Ainda que seja usada pra isso, os ingleses também empregam em várias outras ocasiões, servindo por exemplo para agradecer, como se fosse um “valeu”. Também serve para uma despedida, substituindo o nosso “falou”. Quer se despedir no final de um email ? Cheers! Eles falam bastante “sorry”, mas em alguns casos até pra pedir desculpa (como em um encontrão ou para pedir licença pra passar) ta lá o cheers de novo. Se tiver na Inglaterra, na dúvida, fale cheers. Sorry e excuse-me também podem ajudar em diversas ocasiões.

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Lixeiras

Lixeiras são comuns nas cidades, fácil de encontrá-las. Em geral, são feitas de ferro, com um compartimento no topo para bitucas de cigarro e o cesto removível em baixo. Os lixeiros tem uma chave mestra para remover o cesto e fazer a coleta. Porém essas lixeiras não são vistas em locais de grande movimentação e pontos turísticos. Por medo de atentados com bomba as lixeiras convencionais foram removidas, sendo mais comum disponibilizarem apenas um saco plástico transparente. Isso pode ser observado em diversas capitais e cidades famosas da Europa.

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Água quente por todo lado

Preparados para os dias frios, em qualquer banheiro  estão disponíveis torneiras com água quente. O que é bastante confortável, porque conforme a região e a estação só falta sair pedra de gelo, Escócia e Dinamarca tem uma . Porém nem sempre é uma única torneira em que se pode definir (com dificuldade) uma temperatura agradável. Muitas vezes são duas, uma com água glacial e outra com lava de vulcão. E nessas geralmente é preciso ir na fria porque a quente é escaldante. O que acontece é que o costume inglês é inundar a pia tampando o ralo, tanto pra lavar louça quanto para higiene pessoal, o que permite usar as duas torneiras. Quem está acostumado com água corrente dança.

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Cigarros

Os ingleses fumam muito. Pra caralho. Não é difícil ver adolescentes em grupo, todos com cigarros na boca. O governo já aumentou bastante impostos desses produtos e elevou os preços mas de pouco adiantou. Os fumantes compram pacotes de fumo e papéis e montam os cigarros que acabam fumando sem filtro, como o nosso “paiero”· Esse cigarro artesanal é o mais visto nas ruas. Outra opção muito apreciada é o cigarro eletrônico, muito comum ver as pessoas fumando os “pipes” coloridos.

Com a maconha acontece algo semelhante. Devido ao preço e à pureza, os fumantes montam um cigarro quase todo de tabaco e adicionam apenas um parte da erva, anulando o argumento de que a cannabis não faz tanto mal quanto o cigarro.

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Banheiros

É companheiros, estão querendo mudar mais um hábito masculino. Mijar em pé tem sido combatido em diversas frentes. Um dos países em que o hábito de todo mundo sentar está mais difundido é a Alemanha. As mulheres dão a maior força pra campanha, dizem que sujamos tudo, que é mais saudável e por aí vai. E muitos hotéis e hostels (também de outros países) também pedem para os hóspedes reconsiderarem o costume na hora de esvaziar a bexiga.

Além disso, mais uma revolução vem aí: os banheiros unissex. Além de não precisarem fazer duas instalações separadas, já há algum tempo não dá pra dividir a população em homens e mulheres apenas, existem muitas variações. E aí como fazer, construir dez (ou +) tipos de banheiro ? Não, faz um só, todo mundo junto, cabines fechadas dentro do cômodo e é isso. Convivamos.

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Costumes

Duas coisas comuns no dia a dia por aqui (na verdade por toda a Europa) que fazem qualquer mãe brasileira entrar em pânico: beber água da torneira e jogar papel higiênico na privada. Claro que existe água engarrafada em qualquer lugar, mas dentro de casa ou no emprego, todo mundo tem a sua caneca ou garrafa e simplesmente enche na torneira mais próxima. Sim, inclusive na pia do banheiro. Aliás, quando se está fazendo turismo banheiros públicos ou de restaurantes são um oásis, da pra aliviar o aperto e ainda dar um refil na água. O problema, como comentado acima, é quando a torneira só tem água morna/quente, aí complica pra beber. Mas dá pra sobreviver.

Sobre o papel higiênico, se você vir um cesto no banheiro, assuma que é para outras embalagens, papel toalha ou absorvente no caso das moças. Papel higiênico vai dentro do vaso, a tubulação e o sistema de esgoto são preparados para isso. Na verdade, os estrangeiros muitos vezes se impressionam com os hábitos de asseio do Brasil, acham que tomamos muitos banhos e cuidamos demais dos dentes (?). Mas não se conformam que jogamos papel sujo num cesto ali no cantinho, têm nojo da ideia.

Glass filled with drinking water from tap, isolated on the white background.

Crianças e cães

Uma coisa em comum entre esses pequenos seres: nenhum dos dois é visto desacompanhado por aqui. Crianças andando sozinhas, com uma bola, um skate, correndo ? Esqueça, sempre tem um adulto pro perto. Na verdade os pais usam carrinhos pra levar os filhos até depois de bem maiores, não sei se por conveniência ou falta de paciência. Muito tem aqueles carrinhos duplos, põe os pequenos lá e saem rasgando a multidão.

E não espere ver cães abandonados pelas ruas. Não tem. Até porque no inverno os bichinhos congelariam né. Sempre que se vê algum solto, geralmente nos parques, o dono está por perto, mas na maioria das vezes eles ficam em coleiras mesmo.

Tem as famosas coleiras pra crianças também, muita gente acha estranho, mas até que não é tão má ideia. Dá uma liberdade pros pequenos, sem perdê-los de vista.

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Que eu to lembrando por agora é isso. Novidades em breve

Até mais o/

Homens de saia por todo lado

A capital da Escócia é uma cidade fantástica, pra dizer o mínimo. Apesar de se escrever Edimburgh, aparentemente a pronúncia correta é “Edimbra”. Cheia de vielas e escadas conectando ruas maiores, passa uma sensação muito interessante de um lugar preservado no tempo. É tranquilamente possível caminhar pela maioria dos pontos turísticos, visto que é uma cidade relativamente pequena. O centro comercial e industrial do país fica em Glasgow, que acaba sendo a mais populosa.

A cidade é bem fácil de conhecer, boa parte pode ser feita a pé mesmo. Há vários artistas de rua, a maioria vestida com roupas típicas (kilt) e tocando gaita de fole.

Os jardins da princesa ficam no centro da cidade onde também há uma torre. Logo ali do lado fica a National Gallery, o museu nacional com entrada grátis. Um salve para os museus gratuitos do mundo! Ahow! Corremos pra lá pra nos abrigar da chuva típica da cidade, fria que só. O acervo é bem servido, contando inclusive com obras se Da Vinci. Muitas esculturas, obras históricas e pinturas importantes.

Os escoceses, apesar da fama de mal-humorados, devem estar entre os povos mais educados. Para se ter uma ideia, uma amiga preparava-se para fazer uma foto do castelo, quando um sinal de trânsito ficou verde e o ônibus ali parado começou a se mover, mas o motorista primeiro pediu desculpas por passar na frente da câmera. Se esse é o comportamento padrão ou não é difícil dizer, mas o trânsito e o atendimento nos estabelecimentos do país deixaram uma ótima impressão.

O ponto mais chamativo da cidade é o castelo, localizado no alto de uma rocha, obviamente uma posição estratégica. Durante a visita (de ingresso bastante salgado) descobre-se a história da construção. Iniciada como uma vila fortificada menor, o castelo foi crescendo durante os séculos, conforme a necessidade ou vaidade dos reis e rainhas, resultando em prédios de diferentes idades. Há jardins internos, torres, pátios e muros por todo lado que se olhe. Se de um lado castelo tinha vista para a cidade e o interior do terreno, do outro lado fica o oceano, para o qual ainda hoje ficam apontados diversos canhões. O maior deles é a Mons Meg, que devido ao seu porte impôs medo em muita gente. São diversos os salões que impressionam pela suntuosidade, sendo que num país frio como esse, lareira é o que não falta.

Durante o tour é possível visitar antigos dormitórios militares, assim como prisões medievais e modernas. A sensação nesses lugares é bem estranha, porém a ração diária dos presos em tempos antigos não era tão ruim: pães, queijos, linguiça, fumo e cerveja. Outra parte interessante do castelo é a sala das joias da coroa, das quais não podem ser feitas fotos. Na visita aprende-se um pouco da história das guerras enfrentadas pela Escócia, assim como percebe-se parte do ressentimento para com a Inglaterra, conquistadora que nunca foi embora. Algumas batalhas foram verdadeiros massacres, devido ao poder bélico e monetário dos ingleses. Em outros tempos a relação já foi mais conturbada, hoje gozam de tranquilidade, cooperação e relativa calma, apesar do plebiscito de separação no ano passado. O resultado dessa votação decidiu pela permanência da Escócia no Reino Unido.

Em outro ponto da cidade, no alto de outro monte fica um monumento romano, cuja construção foi abandonada na época por falta de recursos. O local tem uma visão privilegiada da cidade e também do oceano, e já foi utilizado como ponto de vigia no passado. Conta também com um pequeno museu, uma torre de observação e um solitário canhão, de frente para o mar.

Edimburgo é também famosa pela sua festa de réveillon,  um festival de rua dos mais animados da Europa. Mesmo com chuva e frio, foi uma experiência fantástica visitar essa cidade. Há muito por aproveitar, bons restaurantes e opções culturais. Tipo Tiradentes – MG

Caipirice do dia: fui comprar umas comidas nessas lojinhas de conveniência, escolhi umas opções saudáveis, batata-frita, chocolate, refrigerante, só pra passar a noite no hostel e beleza fui pagar. Entreguei uma nota de 20 libras e fiquei esperando receber 10 de troco. E recebi, mas no lugar da belíssima face da Rainha Elizabeth me entregaram uma cédula marrom, com um homem de peruca.

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Fiquei alguns segundos olhando pra nota, pensativo e peguei sem entender mesmo. Mostrei pra uma amiga, um pouco mais experiente em viagens, que me explicou que ainda que o Reino Unido utilize a mesma moeda, com os mesmos valores, cada país tem as suas próprias cédulas. Ela inclusive havia tido dificuldade de utilizar notas recebidas na Irlanda do Norte em estabelecimentos da Inglaterra, sempre gera uma desconfiança e a conferência da cédula. Aprendi uma nova e fique tranquilo de saber que mais pessoas estranham a diferença.

Fotos a seguir. Até mais o/

 

 

 

 

Dia de Rugby

Como todos devem saber, está em curso a Copa do Mundo de Rugby. A competição é capa no mundo todo, em todos os jornais, revistas e sites especializados no esporte. É o assunto favorito nas mesas de bar, conversas de esquina e reuniões de pessoas que já ouviram falaram do jogo.

A Copa está ocorrendo na Inglaterra e Leicester é uma das sedes. Por conta do número mínimo de espectadores exigidos, os jogos não são disputados no estádio dos Leicester Tigers (de rugby) mas no do Leicester City Football Club (de futebol), com capacidade para quase 33 mil pessoas. Os assentos são bem próximos ao gramado, que estava em perfeitas condições e a visibilidade é excelente. As cadeiras não são muito espaçosas e os telões são bem pequenos, mas fora isso o estádio é bem agradável. As comidas e bebidas lembraram um pouco o Brasil, preços elevados e pouca qualidade. A diferença é que estádio inglês vende cerveja e chá!

O jogo em questão foi entre Argentina e Namíbia. E todo mundo sabe, a Namíbia é o Brasil na Copa de Rugby, não podia deixar de apoiar nossa seleção. É sempre válido secar os hermanos, não importa o esporte, tem que torcer até por um tropeço no meio do tango.

Foi a partida de rugby mais emocionante que já vi na vida! Os vice-campeões da Guerra das Malvinas jogaram já classificados e com grande favoritismo contra a nação tupiniquim africana. Até por isso abriram o jogo em vantagem, com dois “try” (conduzir a bola até a linha de fundo) logo no começo, somando 14 pontos. Mas não tem mais bobo no rugby e logo a Namíbia deu um jeito de marcar o seu também, num lance que combinou (falta de) técnica, sorte, versatilidade, tenacidade e honradez. Delírio no King Power Stadium.

O clima no estádio era tenso e muito hostil. As torcidas sentaram-se juntas, sem qualquer proteção diferenciada, repleta de idosos, família e crianças, algumas de colo! As bandeiras dos dois países foram distribuídas na entrada e muitos dos torcedores seguravam uma de cada. Lances das duas equipes eram comemorados e as olas eram boa parte da diversão. Havia muitos argentinos presentes apoiando a equipe, mas o clima não ficou compremetido por isso. A torcida argentina mostrou seu costumeiro fervor, apoiando o tempo todo e cantando músicas de incentivo como “Es la canja de galina” e “Pasó un avión y en el fué escrito Argentina campeón”.

O primeiro tempo terminou com ligeira vantagem dos sudacas de 29 a 7, reservando emoções para a última etapa. E aí desandou de vez. As víuvas do Perón marcaram mais um monte de vezes e a Namíbia sucumbiu, mas não sem lutar. Com mais dois “try”, sendo o último deles sem a “conversion” (chutar a bola entre as traves) a nossa seleção somou 19 pontos, vendendo caro a derrota por 64 pontos para os adversários. Isso encerra a participação dos nossos heróis na competição, mas o espírito de luta e a entrega dão muito mais orgulho do que certas seleções por aí.

Terminada a partida foi hora de rumar para o Victória Park, onde estava instalada a Fan Fest. E se tem uma coisa que inglês não manja é Fest. Quer dizer, organização é com eles mesmos, limpeza, segurança, funcionários, orientação, instalações, nada a reclamar. Só não tem animação. É todo mundo sentado, pouco barulho, quase sem música. Parecia quase uma reunião de família no parque pra ver o jogo. Um telão bem grande, algumas barracas de comida e bebida e a única coisa que eles gostam mais do que chá: filas! Gostam mais do que paulistano. Qualquer coisa que estiver acontecendo a primeira reação dos britânicos é organizar todo mundo um atrás do outro.

Ainda que relativamente calmo, o clima estava aprazível para a partida entre França e Irlanda. O clima das pessoas porque a temperatura estava fria pra cacete, sentar na grama não estava muito convidativo. Esse jogo foi bem mais parelho que o anterior, muita dificuldade para marcar pontos e o primeiro tempo acabou sem nenhum “try”, sendo marcados pontos apenas em chutes. No segundo tempo a Irlanda manteve o domínio e venceu a partida, empurrando os comedores de baguete para enfrentar os temidos All Blacks, da Nova Zelândia. O povo da terra dos duendes e sua forte seleção vão enfrentar justamente os discípulos de Maradona, provavelmente despachando os boa-gente de volta pra Buenos Aires.

Um domingo diferente, aprendendo um pouco mais desse que é o 13º ou 14º esporte mais popular do planeta.

Agradecimentos à Barbara por parte do vídeo e ao Ferrera pela edição relâmpago.

Até mais o/